Em 11 de fevereiro de 2013, Bento XVI anunciava o fim de seu ministério petrino. “Depois de ter examinado, repetidamente, a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino”, disse Bento XVI no Angelus de 24 de fevereiro de 2013, explicando o motivo de sua decisão.
Recordando a data, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, foi entrevistado pela Rádio Vaticano. Ele conta que quem já acompanhava Bento XVI, mais de perto, entendia que havia uma reflexão sobre a renúncia. Tratava-se de um tema sobre o qual ele rezava, refletia, avaliava e fazia um discernimento espiritual.
“A clareza com a qual Bento XVI se preparou para este gesto e, diria, a fé com a qual se preparou, deu-lhe a serenidade e a força necessárias para cumpri-lo, seguindo com coragem e com serenidade, com uma visão verdadeiramente de fé e de espera pelo Senhor que acompanha continuamente a Sua Igreja”, declara padre Lombardi.
Na época da renúncia, uma das maiores dúvidas era sobre como seria a convivência entre dois “Papas”, algo inédito na história. Padre Lombardi revela que, quanto a isso, parecia claro para ele que não haveria nenhum temor, pois o papado é um serviço, e não um poder; logo, não gera dificuldade de convivência com o sucessor. “Há uma solidariedade espiritual profunda entre os Servos de Deus que buscam o bem do povo no serviço do Senhor”.
Em carta ao teólogo Hans Kung, datada de 24 de janeiro e publicada pelo jornal italiano “La Repubblica”, Bento XVI afirmou ser grato pela grande semelhança de visões e pela amizade que o une ao Papa Francisco. O Papa emérito afirma que seu único e último dever é encorajar o atual Pontificado com a oração.
No dia em que se recorda um ano da renúncia de seu antecessor, o Papa Francisco convidou os fiéis a rezarem juntos com ele por Sua Santidade Bento XVI, “Hoje, convido-vos a rezar juntos comigo por Sua Santidade Bento XVI, um homem de grande coragem e humildade”.